Homem esfaqueia ex-mulher na frente do filho de 4 anos no Paraná

Homem esfaqueia ex‑mulher na frente do filho de 4 anos no Paraná

São José dos Pinhais (PR) – 2 de julho de 2026 – Em um caso que chocou a comunidade local, um homem de 38 anos foi detido na manhã desta segunda‑feira após esfaquear a ex‑esposa em plena via pública, na presença de seu filho de quatro anos. O crime ocorreu por volta das 9h30 na Avenida Dr. Irineu Diniz, próximo ao cruzamento com a Rua Fortaleza, no bairro de São João, em São José dos Pinhais.


O ocorrido

De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Civil, a vítima, identificada como Maria Aparecida da Silva, de 34 anos, foi abordada pelo ex‑companheiro, Anderson Rodrigues da Costa, que a reconheceu enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus. Testemunhas relataram que o homem, visivelmente alterado, puxou uma faca de cozinha da bolsa e, sem aviso prévio, avançou contra a mulher, atingindo‑a repetidas vezes no tronco e nos membros superiores.

A agressão ocorreu no mesmo instante em que o filho do casal, Lucas, de quatro anos, chegava ao local para acompanhar a mãe. “Ele ficou paralisado, chorando sem parar. Quando ouvi o som da faca, corri para o carro e cheguei aqui ainda com a camisa cheia de sangue”, contou a vizinha que serviu de testemunha ocular.

A vítima foi socorrida pelos bombeiros e encaminhada em estado grave ao Hospital Universitário de Curitiba, onde permanece em observação intensiva. Ainda não há informações oficiais sobre o prognóstico, mas a família tem mantido a esperança de sua recuperação.


A prisão

Poucos minutos após a agressão, a Polícia Militar recebeu a denúncia de vizinhos e chegou ao local, onde encontrou Anderson ainda com a faca em mãos. De acordo com o relatório da PM, o suspeito tentou fugir em direção a um veículo estacionado nas proximidades, mas foi contido por dois policiais que o imobilizaram antes que ele conseguisse alcançar o carro.

Ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia de São José dos Pinhais, onde o delegado responsável pelo caso, Dr. Rodrigo dos Santos, anunciou a abertura de inquérito para investigação de tentativa de homicídio qualificado – lesão corporal grave e violência doméstica. O homem já teve o passaporte e o RG recolhidos e permanecerá sob custódia até a audiência de custódia que está marcada para o dia 5 de julho.


Contexto de violência doméstica no Paraná

Este episódio chega a um momento em que os números da secretaria de Segurança Pública do Paraná apontam para um aumento nas ocorrências de violência contra a mulher. Em 2025, foram registrados 17.842 casos de violação de medidas protetivas, um crescimento de 9,3 % em relação ao ano anterior. A presença de crianças nas situações de violência doméstica tem sido considerada um agravante importante, pois expõe os menores a traumas psicológicos de longo prazo.

A Coordenação Estadual de Políticas para as Mulheres (CEPM) aproveitou a repercussão do caso para reforçar a campanha “Não ao Silêncio”, que oferece linhas diretas de apoio 24 horas (179) e orienta sobre a importância de denunciar imediatamente qualquer sinal de agressão, ainda que o agressor seja conhecido ou tenha laços familiares.


O impacto sobre o filho

Especialistas em psicologia infantil alertam que crianças que testemunham agressões violentas podem desenvolver transtornos de ansiedade, depressão e comportamento agressivo. A assistente social do município, Carolina Ferreira, que já acompanhou o caso, informou que a Secretaria de Assistência Social já acionou a rede de proteção à criança para abrir um acompanhamento psicossocial urgente para Lucas.

“A presença da violência doméstica gera uma ruptura no vínculo afetivo e gera sentimentos de insegurança profunda. O acompanhamento precoce, com psicólogos e assistentes sociais, pode prevenir sequelas mais graves no futuro”, explicou Carolina.

O Conselho Tutelar de São José dos Pinhais já foi notificado e está avaliando a necessidade de medidas de proteção ao menor, incluindo a possibilidade de colocá‑lo sob guarda temporária de parentes próximos, conforme a Lei nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).


Reação da comunidade

O bairro de São João manifestou revolta e solidariedade. Em frente ao local do crime, moradores organizaram uma pequena vigília, colocando flores, velas e cartazes com a frase “Chega de violência contra as mulheres”. O presidente da Associação de Moradores, Júlio Almeida, declarou:

“Não podemos aceitar que a violência doméstica aconteça dentro de casa, no comércio ou na rua, e ainda mais na frente de crianças. Precisamos de políticas de prevenção, apoio às vítimas e punição exemplar aos agressores.”

A Polícia Civil também divulgou um convite para que qualquer pessoa que possua imagens de câmeras de segurança da região ou que tenha ouvido conversas suspeitas entre as partes entre os dias 30 de junho e 2 de julho entre em contato com a central de denúncias (181) para contribuir com as investigações.


O que fazer em casos de violência doméstica

  • Ligue imediatamente para 180 (central de Polícias Civis) ou disque 180 (disque‑Denúncia) para registrar a ocorrência.
  • Acione o 179 (central de atendimento à violência contra a mulher) para solicitar medida protetiva e apoio psicológico.
  • Procure o Centro de Referência da Mulher (CRAM) mais próximo – os serviços são gratuitos e oferecem orientação jurídica, psicológica e assistência social.
  • Não guarde provas; conserve mensagens, fotos de lesões e quaisquer registros que possam auxiliar nas investigações.
  • Se houver crianças presentes, informe também o Conselho Tutelar (0800‑722‑0202) para garantir a proteção do menor.

Conclusão

O caso de Anderson Rodrigues da Costa, que tentou assassinatar sua ex‑esposa na frente do filho de quatro anos, traz à tona a urgência de políticas mais eficazes de prevenção e de apoio às vítimas de violência doméstica no Estado do Paraná. Enquanto a vítima luta pela vida no hospital, a comunidade e as autoridades se mobilizam para que o agressor responda pelos seus atos e para que a criança envolvida receba todo o suporte necessário para superar o trauma.

A sociedade civil, os órgãos de segurança pública e as redes de proteção infantil precisam atuar de forma integrada, reforçando a mensagem de que a violência contra a mulher – e, por extensão, a violência que atinge crianças – não será tolerada. O caso segue em investigação e será acompanhado de perto pelos meios de comunicação e pelos movimentos sociais que clamam por justiça e pelo fim da impunidade.

Fonte

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