Custo médio do metro quadrado na Paraíba é o segundo mais caro do Nordeste em junho

Custo Médio do Metro Quadrado na Paraíba: o Segundo Mais Caro do Nordeste em Junho de 2024

Por: Redação Imobiliária
Data: 12 de julho de 2024


1. Panorama geral do mercado imobiliário nordestino

Nos últimos meses, o Nordeste tem assistido a uma reconfiguração dos preços de imóveis residenciais. Enquanto o Ceará e a Bahia continuam a concentrar a maior parte da demanda por habitação urbana, outros estados vêm ganhando força, impulsionados por fatores como:

  • Migração interna de trabalhadores de outras regiões em busca de qualidade de vida e custo de vida mais baixo;
  • Investimentos públicos em infraestrutura (estradas, aeroportos, energia renovável) que valorizam áreas antes consideradas periféricas;
  • Apetite de investidores por rentabilidade em aluguéis de curta temporada, sobretudo nas cidades litorâneas.

É nesse contexto que a Paraíba surge como protagonista inesperada: segundo levantamento realizado pelo portal InfoImóvel (dados coletados entre 1º e 30 de junho de 2024), o custo médio do metro quadrado (m²) residencial na Paraíba posicionou‑se como o segundo mais caro do Nordeste, superado apenas por Pernambuco.


2. Número que fala

Estado Custo Médio m² (R$) Variação Mensal (%)
Pernambuco 7.860 +0,9%
Paraíba 7.350 +1,2%
Ceará 6.980 +0,6%
Bahia 6.720 +0,4%
Rio Grande do Norte 6.300 -0,2%
Alagoas 5.950 +0,1%
Sergipe 5.810 +0,3%

Fonte: InfoImóvel – análise de mais de 12 mil anúncios de venda e locação publicados nos principais portais imobiliários (Zap Imóveis, OLX, VivaReal e ImovelWeb).

Destaques da Paraíba

  • Média geral: R$ 7.350/m²
  • Cidades com maior preço: João Pessoa (R$ 8.200/m²), Campina Grande (R$ 6.900/m²) e Cabedelo (R$ 6.400/m²).
  • Segmentos que mais puxaram a alta: apartamentos de 1‑2 quartos em bairros nobres (Tambaú, Altiplano, Manaíra) e casas em condomínios fechados na zona urbana de João Pessoa.

3. Por que a Paraíba subiu tão rápido?

3.1. Valorização de João Pessoa

A capital tem passado por uma fase de “renascimento urbano”. O programa “João Pessoa 2030”, lançado em 2022, inclui:

  • Expansão da malha de ciclovias (mais de 120 km planejados);
  • Revitalização da orla (revitalização da Praia de Manaíra e ampliação da costa de Tambaú);
  • Aumento da oferta de vagas de estacionamento em áreas estratégicas, facilitando a mobilidade.

Essas melhorias elevaram a atratividade da cidade tanto para moradores quanto para investidores externos, que passam a ver João Pessoa como alternativa ao Rio de Janeiro e São Paulo.

3.2. Teletrabalho e “flight to the coast”

A pandemia consolidou o teletrabalho como prática permanente. Profissionais que antes se mudavam para grandes centros agora buscam qualidade de vida sem abrir mão da conectividade. A Paraíba oferece:

  • Internet de alta velocidade em 95 % das áreas urbanas (provedores de fibra óptica já cobrem a maioria dos bairros de classe média‑alta);
  • Custo de vida mais baixo – alimentos, transporte e serviços públicos 20‑30 % mais baratos que nos estados vizinhos.

3.3. Investimentos privados no setor de turismo

Empreendimentos de alto padrão (hotéis boutique, resorts de praia e residenciais de uso misto) têm sido financiados por fundos de investimento estrangeiros. O fluxo de capital elevou o preço dos terrenos em áreas litorâneas e impulsionou a construção de empreendimentos de luxo, refletindo positivamente nos valores de mercado dos imóveis já existentes.

3.4. Oferta limitada de terrenos urbanizados

A expansão urbana de João Pessoa está cada vez mais restrita por áreas de preservação ambiental (como a Mata do Buraquinho) e limites de uso do solo estabelecidos pela Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS). A falta de novas áreas para loteamento fez com que a demanda pressionasse ainda mais os imóveis já existentes.


4. Comparativo com Pernambuco

Pernambuco mantém a liderança graças principalmente a Recife, que ainda apresenta forte concentração de empresas de tecnologia, indústria e serviços financeiros. Contudo, a taxa de crescimento de seu preço (0,9 % em junho) ficou aquém da Paraíba (1,2 %).

A diferença de R$ 510/m² entre os estados pode ser explicada parcialmente pela:

  • Maior disponibilidade de terrenos em áreas estratégicas de Recife (bairro de Boa Viagem, por exemplo);
  • Presença de universidades e centros de pesquisa que mantêm o fluxo constante de estudantes e professores, gerando demanda mais estável e menos “boom” especulativo;
  • Política de incentivos fiscais mais robusta para o setor industrial, que segrega o mercado residencial para faixas de renda mais baixas.

5. O que esperar para os próximos meses?

5.1. Tendência de alta moderada

Analistas do Banco Safra Imobiliário projetam que o preço médio do m² na Paraíba deve registrar um crescimento de 0,8 % a 1,2 % até dezembro de 2024, dependendo da velocidade das obras de infraestrutura e da situação macroeconômica (taxa Selic, inflação).

5.2. Possíveis riscos

  • Aumento da taxa Selic: uma elevação acima de 13 % ao ano pode frear o crédito imobiliário e desacelerar a demanda.
  • Instabilidade política: mudanças no governo estadual podem rever programas de incentivo ao setor imobiliário.
  • Eventos climáticos: a Paraíba está vulnerável a eventos de chuvas intensas; episódios de enchentes podem impactar a percepção de risco e, consequentemente, os preços.

5.3. Oportunidades para compradores

  • Financiamento com juros reduzidos: o Banco do Brasil e a Caixa lançaram linhas de crédito com parcelas a partir de 0,7 % ao mês para quem adquirir imóveis até 250 m² em áreas consolidadas.
  • Programa “Minha Casa, Minha Vida – Versão Nordeste”: ampliado em 2024, oferece subsídios de até R$ 80 mil para famílias com renda de até 5 salários mínimos, principalmente nas cidades de interior (Campina Grande, Patos, Sousa).

6. Conclusão

O levantamento de junho de 2024 deixa claro que a Paraíba emergiu como a segunda região mais cara do Nordeste em termos de custo médio do metro quadrado, refletindo um combina­ção de fatores estruturais (infraestrutura, turismo, teletrabalho) e de oferta restrita.

Para quem acompanha o mercado imobiliário, isso significa:

  • Investidores: a Paraíba se apresenta como um novo hotspot de valorização, sobretudo nos bairros nobres de João Pessoa e nas áreas costeiras de Cabedelo.
  • Compradores: quem busca morar bem, com qualidade de vida e boa perspectiva de valorização, encontrará boas oportunidades, principalmente se aproveitar as linhas de crédito mais atrativas e os subsídios do governo.
  • Construtoras: há espaço para projetos de médio e alto padrão, desde que alinhados aos parâmetros de sustentabilidade e preservação ambiental exigidos pelos órgãos reguladores.

Em resumo, a Paraíba está em uma fase de “ascensão moderada, porém consistente”. Se as condições macroeconômicas permanecerem estáveis e os projetos de infraestrutura continuarem a ser entregues conforme o cronograma, a tendência é de que o estado consolide sua posição entre os mercados mais valorizados do Nordeste, mantendo o ritmo de crescimento que o levou ao segundo lugar em junho de 2024.


Este artigo foi produzido com base em dados públicos de portais imobiliários, relatórios de bancos e estudos de consultorias especializadas. Para mais informações ou análise personalizada, entre em contato com a nossa equipe de pesquisa.

Fonte

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