Perícia mostra que suspeito de matar mulher em São João da Baliza arrastou vítima até uma área de mata

Perícia aponta que suspeito de matar mulher em São João da Baliza a arrastou até área de mata

São João da Baliza, 12 de julho de 2026 – Uma investigação criminal realizada pela Delegacia de Homicídios de São João da Baliza revelou, por meio de perícia técnica, que o principal suspeito no caso da morte da cidadã Maria da Glória Silva (27) teria arrastado o corpo da vítima por vários metros até um trevo de mata fechada, localizado na zona rural do município. O parecer pericial foi apresentado nesta segunda‑feira ao Ministério Público, ao juiz da comarca e à imprensa.


1. Contexto do crime

Na noite de 3 de junho, amigos de Maria da Glória a encontraram desaparecida na região central da cidade, após a sua última mensagem de texto para a irmã, indicando que voltaria para casa por volta das 22h. Três dias depois, o corpo da mulher foi localizado em um trevo de mata dentro da Estrada do Norte, a aproximadamente 2,6 km da residência da vítima.

As primeiras diligências apontaram para a presença de sangue no local, mas as autoridades só conseguiram identificar um possível autor após a prisão de Carlos Eduardo Ferreira (31), ex‑companheiro da vítima, que foi detido em 22 de junho após cumprir mandado de prisão preventiva.


2. O laudo pericial

2.1. Evidências físicas

  • Marcas de contato: Análises da polícia científica encontraram duas linhas de arranhões profundos na casca de árvore de 1,10 m de diâmetro próximo ao ponto onde o corpo foi descoberto. O padrão dos arranhões corresponde ao atrito de um corpo arrastado sobre a madeira úmida da mata, segundo o perito-chefe Dr. Marcos Albuquerque.

  • Resíduos de terra: Amostras de terra coletadas nas costas da vítima continham fragmentos de cascalho e musgo típicos da vegetação do trecho da mata, indicando que o corpo passou em contato direto com o solo local.

  • Cicatrizes cutâneas: A autópsia descreve quatro lesões lineares de força mecânica nos braços e nas pernas da vítima, compatíveis com o esforço de ser arrastada sobre um terreno irregular.

  • Sangue na roupa do suspeito: O exame de vestuário apreendido de Carlos Ferreira revelou manchas de sangue tipo A+, combinação exata ao tipo sanguíneo da vítima, além de vestígios de terra de mata, verificados por microscopia de partículas.

2.2. Reconstituição do trajeto

Utilizando técnicas de fotogrametria, drones e softwares de modelagem tridimensional, a equipe pericial criou um mapa virtual do percurso provável entre a casa da vítima (Rua das Flores, nº 102) e o local de achado. O trajeto apresenta:

Etapa Distância (m) Descrição da cobertura
1 – Saída da residência 0 – 30 Calçada de concreto
2 – Entrada na pista de terra 30 – 180 Solo argiloso, pouco úmido
3 – Trecho de mata densa 180 – 500 vegetação rasteira, raízes expostas
4 – Área de clareira 500 – 650 Solo de cascalho, pouca vegetação
5 – Local de achado 650 – 710 Trilha de mata fechada, sombra permanente

A simulação indica que arrastar um corpo por aproximadamente 570 m em terreno misto exigiria força considerável e teria deixado vestígios visíveis nos dois pontos citados (árvore e solo). A perícia confirmou que o sinal de arrasto coincide exatamente com o caminho reconstruído.

2.3. Conclusões técnicas

“Os indícios físicos apontam, de forma inequívoca, que a vítima foi arrastada, possivelmente ainda viva, até a área de mata onde o corpo foi abandonado. A presença de sangue e terra da região nas roupas do suspeito, associada às marcas de contato encontradas no ambiente, reforça a ligação direta entre o suspeito e a dinâmica do crime.”
Dr. Marcos Albuquerque, perito criminal.


3. Repercussão legal

O Ministério Público de Roraima, com base no laudo pericial, ofereceu a denúncia contra Carlos Eduardo Ferreira pelos crimes de homicídio simples qualificado (art. 121, §2º, incisos I e III, do Código Penal) e lesão corporal grave (art. 129, §2º). O juiz da 1ª Vara Criminal de São João da Baliza, Dr. Ronaldo Costa, deferiu a prisão preventiva, destacando o risco de fuga e a gravidade das provas.

A defesa ainda não apresentou resposta oficial, mas informou que vai contestar a validade da prova pericial, alegando “contaminação da cena e falta de cadeia de custódia”.


4. Impacto na comunidade

O caso reacendeu o debate sobre segurança nas áreas rurais do interior do estado. Moradores da região reclamam da pouca iluminação nas estradas de terra e da ausência de patrulhamento regular nas áreas de mata. A secretaria de Segurança Pública de Roraima prometeu:

  • Instalação de pontos de apoio nas vias de acesso à mata;
  • Ampliação do monitoramento por câmeras em interseções críticas;
  • Campanhas de orientação para evitar deslocamentos noturnos sem companhia.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres também se mobilizaram, exigindo políticas de prevenção à violência doméstica e maior apoio às vítimas.


5. Próximos passos da investigação

  • Análise de imagens de câmeras de segurança nas imediações da residência da vítima e na pista que leva à mata.
  • Interrogatório de testemunhas que relataram ter visto o suspeito carregando objetos volumosos na noite do crime.
  • Reavaliação da cadeia de custódia das roupas e dos vestígios de sangue, para atender às alegações da defesa.

A audiência de instrução está marcada para 25 de julho, quando as partes poderão apresentar novos elementos.


Conclusão

O laudo pericial elaborado pela polícia científica de São João da Baliza fornece evidências robustas de que o suspeito não só participou do homicídio, como também arrastou o corpo da vítima até um trevo de mata antes de abandoná‑lo. As conclusões técnicas, corroboradas por evidências biológicas e rastros físicos, constituem o alicerce da acusação que agora segue para julgamento. O caso permanece como um dos mais graves da história recente do município, simbolizando tanto a violência contra a mulher quanto a necessidade urgente de melhorias de segurança nas áreas rurais de Roraima.

Fonte

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