Naufrágio em Cametá (PA) deixa dois mortos e um desaparecido
As autoridades ainda buscam o terceiro passageiro após o afundamento de uma embarcação fluvial no rio Tocantins; Polícia Civil e Corpo de Bombeiros apuram as causas do acidente.
Cametá, 12 de outubro de 2024 – Uma tragédia abalou a comunidade ribeirinha de Cametá, no estado do Pará, na noite de ontem, quando uma embarcação de passageiros – identificada como o Barco São João – afundou nas águas do rio Tocantins. Até o momento, os esforços de resgate resultaram na recuperação de dois corpos e a procura por um terceiro passageiro continua.
O que aconteceu?
A bordo do barco estavam 14 pessoas, segundo informações da Capitania dos Portos. A embarcação fazia a rota irregular entre as cidades de Cametá e Brejo Grande, transportando moradores, mercadorias e animais. Por volta das 20h, após passar por uma forte chuva, o barco colapsou cerca de 5 quilômetros a montante da cidade de Cametá, próximo ao vilarejo de São João da Praia.
Testemunhas relataram que o rio estava com um nível elevado devido à chuva recente, o que pode ter contribuído para o desgaste da estrutura do barco. “O barco começou a bater nas pedras e a água entrou rápido. As pessoas tiveram pouco tempo para reagir”, relatou Maria das Neves, moradora da região, que presenciou o desastre.
Vítimas e desaparecidos
As equipes de resgate da Marinha, do Corpo de Bombeiros Militar do Pará e de voluntários locais conseguiram recuperar dois corpos ainda durante a madrugada. As vítimas foram identificadas como:
- José da Silva, 45 anos, comerciante, natural de Cametá.
- Antônio Pereira, 62 anos, pescador, nascido em Brejo Grande.
O desaparecido ainda não foi identificado, mas segundo a família, trata-se de Luciana Costa, 28 anos, técnica de enfermagem, que viajava de volta para casa após uma visita médica em Belém.
“Estamos desesperados. Luciana estava grávida de três meses. Acreditamos que ela tenha ficado presa nas ferragens”, disse o irmão de Luciana, Marcos Costa, que aguarda ansiosamente por notícias.
As buscas continuam
Com o apoio de três barcos de apoio, helicópteros e mergulhadores da Marinha, as operações de busca são realizadas 24 horas por dia. “Estamos usando todos os recursos disponíveis para localizar a Passageira desaparecida e quaisquer outros destroços”, informou o Capitão Thiago Alves, da Capitania dos Portos de Cametá.
A Secretaria Municipal de Proteção Civil de Cametá montou um centro de coordenação no cais da cidade, onde familiares aguardam atualizações. “Todas as emergências que ocorrem no rio Tocantins são tratadas com a máxima prioridade. Contamos com a colaboração dos órgãos estaduais e com a ajuda da comunidade”, afirmou o prefeito de Cametá, José Ribeiro.
Causas prováveis
O laudo inicial do Corpo de Bombeiros aponta duas causas prováveis para o naufrágio:
- Sobrecarga do barco – o número de passageiros (14) ultrapassava a capacidade máxima permitida (10), segundo a documentação da embarcação.
- Intemperismo – o nível do rio subiu rapidamente após uma noite de fortes chuvas, o que pode ter arrastado detritos para a rota do barco, danificando sua quilha.
A Polícia Civil do Pará abriu inquérito policial para apurar eventuais crimes de naufrágio (art. 266 do Código Penal ) e perigo à navegação (art. 263 do CP). “Vamos ouvir as autoridades portuárias, testemunhas e familiares para reconstituir o que realmente aconteceu”, declarou a delegada Fernanda Oliveira, responsável pela investigação.
Repercussão social
A tragédia reacendeu debates sobre a segurança das viagens fluviais na Amazônia. “Muitas comunidades dependem de transporte fluvial, mas as embarcações muitas vezes não seguem os padrões de segurança”, afirmou a professora da UFPA, Dra. Lívia Cardoso, especialista em logística fluvial.
A Associação de Usuários de Embarcações do Baixo Tocantins pediu à Secretaria de Navegação do Pará uma inspeção rigorosa de todas as embarcações que operam na região, bem como a implementação de um Programa de Fiscalização de Transportes Fluviais (PFTE) com mais rigor.
“Não podemos deixar que a vida humana seja sacrificada pela conveniência econômica”, enfatizou o deputado estadual Carlos Maranhão, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alepa.
Dicas de segurança para viajantes
Diante do caso, as autoridades emitiram orientações para quem utiliza o transporte fluvial no estado:
- Verifique sempre a capacidade máxima do barco antes de embarcar.
- Tenha à mão coletes salva-vidas durante toda a viagem.
- Acompanhe o clima – evite viajar durante tempestades ou após chuvas fortes.
- Mantenha contato com os órgãos de controle (Capitania dos Portos) para obter informações atualizadas sobre condições do rio.
Perspectivas
Enquanto as equipes continuam a procurar por Luciana e buscam esclarecer as causas do naufrágio, a comunidade de Cametá lida com o luto e a incerteza. A estimativa é de que os trabalhos de busca durem ainda alguns dias, dependendo das condições das águas e da visibilidade no local.
A tragédia reacende, mais uma vez, a necessidade de melhoria das infraestruturas de segurança fluvial no Pará, enfatizando que o desenvolvimento da região não pode vir acompanhado por perda de vidas inocentes.
Reporte enviado por nossa correspondente local, Sabrina Pacheco, para o Portal Amazônia.
