Greve da Monte Cristo: Rodoviários interditam Almirante Barroso

Rodoviários interditam serviços na divisa entre Araraquara e Monte Cristo para reivindicações trabalhistas

Divisão entre Araraquara e Monte Cristo, SP – 15/04/2025
Em meio a crescente pressão por melhorias nas condições do trabalho, rodoviários paralisaram o fluxo de veículos na Rodoviária Estadual Governador da Barra Funda entre Araraquara e Monte Cristo (SP), nesta segunda-feira, em uma ação que desvia o trânsito e desafia a economia local. A greve, anunciada pela Federação dos Trabalhadores Rurais Quilombola e Extrativistas (FTRE-ES), é a mais recorrente em uma série de mobilizações que culminaram na interdição de novos terminais na região.

De acordo com a entidade, os trabalhadores exigem o pagamento de aposentadorias com base na regra especial da Previdência, conforme a Convenção Coletiva Nacional (CCN), a garantia do Vale Alimentação e a preservação da jornada quinzenal. “Estamos fadados a ver nossas reivindicações ignoradas. Isso é uma indignação contra a insegurança que vivemos no dia a dia”, destacou o secretário-geral da entidade, João Silva.

A interdição ocorreu após meses de negociações infrutíferas com a concessionária responsável pelo transporte, que, segundo os sindicalistas, adiou compromissos investimento nas estruturas da rodoviária. A paralisação afetou mais de 100 empresas regionais, que viam sua produção prejudicada por atrasos na entrega de insumos. “A falta de planejamento estatal está custando à região”, lamentou o presidente da Associação Empresarial de Monte Cristo, Maria Ribeiro.

A intervenção policial foi imediata. Militares do subcomando de Araraquara encaminharam caminhoneiros e trabalhadores para os presídios municipais, sob acusação de violação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Ainda não há previsão para o retorno da normalidade no terminal, que desde a interrupção está sendo operado apenas por ônibus intermunicipais.

Especialistas em direito do trabalho, como a professora da USP, Ana Costa, questionam a legalidade da paralisação. “Sair da regra da greve interstatual e optar por um movimento local pode colocar os trabalhadores em risco de perda de direitos”, alerta.

A entidade sindical afirmou que não prevê reintegração imediata e manteve a fala de “indefinidade no bloqueio até que os gestores governamentais assumam suas responsabilidades”. Enquanto isso, passageiros como o motorista de Araraquara Ricardo Mendes denunciam a falta de alternativas. “Não tenho mais como levar meus filhos à escola. Isso é um absurdo”, disse.

A expectativa é de que a veiculação da audiência de conciliação maranhense, marcada para quinta-feira, avance, mas a situação segue tensa. Enquanto isso, o secretário de Transportes do Estado, Carlos Mendes, garantiu que “as autoridades estaduais e municipais estão empenhadas em buscar uma solução equitativa”.

A paralisação, embora manifestando frustrações profundas, ilustra a complexidade dos conflitos entre estruturas sindicais e órgãos estaduais. Enquanto a bola fica no arcabouço jurídico e político, a economia local, dependente do comércio de frutas e serviços, segue atrás entre freios.

Com informações do repórter Lucas Costa e da equipe do Portal Região Agreste.

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