Críticas às gestões e embates sobre economia, saúde e segurança marcam 1º debate ao governo do Maranhão
São Luís – Na manhã desta quarta‑feira (30), o primeiro debate promovido pelo governo do Maranhão reuniu representantes de partidos, movimentos sociais, setores empresariais e da academia para discutir o rumo da administração estadual. O encontro, que contou com a presença do governador Carlos Gaguim, ficou marcado por intensas críticas acerca da gestão econômica, pelos desafios do Sistema Único de Saúde (SUS) regional e por questionamentos sobre as políticas de segurança pública.
Críticas à gestão administrativa
Desde o início do mandato, a equipe econômica do governo tem sido alvo de duras críticas. Deputados estaduais e representantes da Federação das Indústrias do Maranhão (Fiema) apontam “ausência de planejamento de longo prazo” e “dependência excessiva de recursos federais”.
“O que vemos é um governo que prioriza o curto prazo, como a contratação de servidores temporários, em vez de investir em políticas estruturais que gerem crescimento sustentável”, afirmou o economista José Carlos da Silva, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
A assembleia de deputados federais do estado ressaltou ainda a necessidade de revisão do orçamento da Seguridade Social, que, segundo eles, tem absorvido grande parte dos recursos sem trazer melhorias palpáveis nos serviços prestados à população.
Embarulho econômico: crescimento estagnado e dívida
O debate evidenciou a estagnação do PIB maranhense nos últimos dois anos, que, segundo o IBGE, cresceu apenas 0,4% em 2023, bem abaixo da média nacional (2,9%). O aumento da dívida pública – que ultrapassa 70% do PIB – foi destacado como um dos principais entraves à atração de investimentos.
“A dívida está limitando a capacidade de o governo investir em infraestrutura e em políticas que impulsionem o setor produtivo”, declarou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojas do Maranhão (CDL-MA), Paulo Sérgio Lima.
Por outro lado, o governo defende que as recentes medidas de contenção de gastos e a reoneração do regime de tributação visam “recuperar a confiança dos investidores e retomar o crescimento”. O ministro da Fazenda do estado, Jorge Mello, citou o plano “Maranhão 2030”, que prevê a revitalização de zonas portuárias, o estímulo ao agronegócio e a ampliação de linhas de crédito para micro e pequenas empresas.
Saúde em foco: desafios do SUS maranhense
A questão da saúde ocupou grande parte do debate. Apesar dos investimentos anunciados em 2022 para a ampliação de unidades básicas de atenção (UBS) e a compra de equipamentos de diagnóstico, os profissionais de saúde ainda denunciam sobrecarga de trabalho e falta de insumos.
“O hospital de urgência de São Luís continua sem médicos residentes, e a fila para exames pode ultrapassar 90 dias. Não podemos aceitar que a população pague com a vida por falhas de gestão”, afirmou a enfermeira-chefe do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, Maria das Graças Almeida.
A Assembleia Legislativa do Maranhão solicitou a criação de um fundo específico para o SUS, com aporte direto da arrecadação estadual, a fim de garantir a cobertura de procedimentos e a valorização dos servidores.
Segurança pública: violência e resposta estatal
Outro ponto crítico foi a segurança pública. O relatório da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) apontou aumento de 12% nos índices de homicídios e de 8% nos casos de roubo qualificado em 2023, principalmente nas cidades do interior.
“A população sente insegurança nas ruas, nos transportes e até nas próprias comunidades. O governo precisa repensar a estratégia de policiamento e investir em prevenção social”, declarou o presidente do Fórum Maranhense de Segurança, tenente-coronel Andréa Nunes.
O governador Gaguim, porém, ressaltou que a redução da violência é prioridade e citou a implementação de novas unidades de policiamento comunitário, a ampliação da rede de câmeras de monitoramento e a parceria com o Ministério da Justiça para a criação de um centro de intelligence.
Reações e próximos passos
Ao final do debate, diferentes foram as posturas. Enquanto partidos de oposição solicitaram a convocação de uma comissão parlamentar de investigação (CPI) para apurar os gastos com a saúde e a segurança, a base aliada do governador destacou a necessidade de “dialogar e ajustar” as políticas, evitando confrontos que atrapalhem a agenda de desenvolvimento.
A Câmara de Vereadores de São Luís já programou uma audiência pública para que a população possa ouvir diretamente os responsáveis pelas pastas de economia, saúde e segurança. O objetivo, segundo o presidente da casa, vereador Júlio César, é “transformar o debate em ação concreta”.
Conclusão
O 1º debate ao governo do Maranhão revelou um panorama de críticas estruturais à gestão e de intensos embates entre os diferentes setores da sociedade. As demandas por uma economia mais dinâmica, um SUS bem funded e uma segurança pública eficaz ecoam nas Assembleias, nas ruas e nas casas dos maranhenses. O caminho a seguir depende da capacidade do Executivo de transformar as críticas em políticas concretas e de articular, de forma sustentável, os recursos disponíveis para atender às necessidades mais urgentes da população.
Reportagem de Ana Paula Mendes – Agência Maranhão
