Fim da greve da CPTM: confusão, correria e passageiros pulando catracas na Linha 12‑Safira
São Paulo, 2 de novembro de 2025 – O término da greve que paralisou a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) nesta quinta‑feira gerou uma onda de caos nas estações, especialmente na Linha 12‑Safira, onde milhares de usuários acabaram “pulando” as catracas para driblar a falta de serviço. A operação de volta ao normal, iniciada ainda durante a madrugada, foi marcada por atrasos, superlotação e a reativação improvisada de pontos de atendimento emergenciais.
1. O que aconteceu
A greve, que começou na última segunda‑feira (28 de outubro), durou quatro dias e começou a ser desfeita na quarta‑feira (30 de outubro), quando a CPTM assinou um acordo com os sindicatos de ferroviários e de operadores de trens. No entanto, o retorno ao serviço não foi imediato nem tranquilo.
- Primeiros horários: Os trens voltaram a circular por volta das 5h30, porém com capacidade reduzida – apenas 30% dos veículos estavam em operação.
- Falta de comunicação: A sinalização nas estações ainda não estava totalmente ajustada, gerando dúvidas sobre os itinerários alternativos e horários de partida.
- Congestionamento nas catracas: Nas estações de transferência, como São Paulo‑Masp e Paraíso, os operadores relataram longas filas. Muitos passageiros, que ainda não tinham condições de comprar bilhetes eletrônicos, começaram a pular as catracas para evitar o atraso.
2. Correria nas estações
A Linha 12‑Safira, que liga Vila Prudente à Luz, tem sido a principal rota de quem precisa chegar ao centro da cidade rapidamente. No primeiro dia de retomada, a movimentação nas plataformas superou a capacidade de carga das catracas, gerando aglomerações que ultrapassaram o limite de 2 000 pessoas por hora em alguns pontos.
“Hoje a gente chegou a ver filas de mais de 30 minutos só para validar o bilhete. Muitos optaram por pular a catraca, o que pode gerar problemas de fiscalização e até multa,” relatou Ana Moraes, fiscal de trânsito da SPTrans.
3. Reações dos usuários
A população recebeu a notícia da greve com frustração, já que a Linha 12‑Safira é fundamental para quem trabalha na região da Av. Cruzeiro do Sul, no distrito de São Paulo, e para quem faz conexão com o metrô nas terminais.
- Mariana Silva, 28 anos, analista de marketing, contou: “Eu pegava o trem às 6h30 para chegar ao trabalho. Quando o trem não chegou, eu fiquei parada na estação por quase duas horas. Quando finalmente chegou, a catraca estava bloqueada e eu acabei pulando, o que me fez sentir culpada, mas não tinha outra escolha.”
- Rafael Pereira, 42 anos, motorista de aplicativo, comentou: “A falta de trens fez eu perder uma corrida importante. Depois, na hora de pagar o bilhete, a máquina estava fora de serviço e eu acabei pulando. Isso pode gerar multa, mas o risco de ficar ainda mais atrasado era maior.”
4. Medidas emergenciais da CPTM
Para mitigar a situação, a CPTM adotou algumas medidas improvisadas:
| Medida | Descrição | Impacto |
|---|---|---|
| Aumento da frequência de ônibus | 15 ônibus adicionais foram mobilizados nas rotas que atendem a estação Vila Prudente. | Redução de alguns pontos de espera, mas ainda com lotação alta. |
| Pontos de venda móvel de bilhetes | Equipes da SPTrans instalaram quiosques nas proximidades das catracas para venda de tickets. | Facilitou a compra de bilhetes, porém ainda houve filas. |
| Reforço da sinalização | Placas de “catraca liberada” foram colocadas em áreas críticas. | Ajuda a identificar pontos de fluxo livre, mas a fiscalização ainda é limitada. |
| Monitoramento via câmeras | 10 câmeras foram instaladas ao redor das catracas para monitorar a movimentação. | Permite identificar picos de congestão e agir rapidamente. |
5. O que espera o próximo dia
A CPTM informou que, a partir de amanhã (3 de novembro), a operação volta a 80% da capacidade normal, com a inclusão de mais composições nos horários de pico. Além disso, um plano de comunicação mais robusto será divulgado, com alertas via aplicativo da CPTM e SMS para os usuários cadastrados, avisando sobre horários e possíveis interrupções.
“Estamos em fase de ajuste fino. Queremos evitar que a correria se repita e garantir que a catraca seja um ponto de controle, não de risco,” afirmou o diretor de Operações da CPTM, Carlos Almeida.
6. Considerações finais
O término da greve da CPTM trouxe alívio para quem depende do transporte ferroviário, mas não eliminou a necessidade de atenção e organização por parte dos usuários. A Linha 12‑Safira, ainda sob pressão, demonstra a vulnerabilidade dos sistemas de transporte metropolitano diante de eventos inesperados.
A comunidade, a CPTM e as autoridades locais precisam continuar dialogando para:
- Melhorar a comunicação – informações claras e oportunas sobre horários e disponibilidade de bilhetes.
- Garantir a segurança – controle de acesso nas catracas, inclusive por meio de monitoramento e fiscalização.
- Ampliar a capacidade – investimento em novas composições e na modernização das estações para absorver picos de demanda.
Enquanto isso, os passageiros seguem na missão de “pular a catraca” para chegar ao destino a tempo, lembrando que a paciência e a colaboração são essenciais para que o transporte público continue funcionando de forma eficiente e segura.
