Oito corpos são encontrados em mina ilegal no Equador, diz polícia

Oito corpos são encontrados em mina ilegal no Equador, diz polícia

Quito, 2 de novembro 2025 – Um corpo de elite da Polícia Nacional do Equador (PNE) encontrou, na manhã de terça‑feira (1 de novembro), oito cadáveres em avançado estado de decomposição dentro de uma mina clandestina localizada na zona rural de Cachi, província de Sucumbíos. A descoberta ocorreu após uma denúncia anônima que apontava indícios de atividade criminosa nas imediações da antiga zona de extração de minério de ouro.

O que aconteceu

De acordo com o tenente‑coronel Luis Herrera, comandante da Delegacia de Homicídios de Sucumbíos, a operação de busca e resgate contou com o apoio de equipes da Unidade de Investigação Criminal (UIC), do Ministério do Ambiente e de voluntários da Cruz Vermelha.

“Ao chegar ao local, deparamos‑nos com a entrada de um túnel escavado à mão, coberto por madeira e plástico, que dava acesso a um pequeno refúgio subterrâneo. Dentro dele, encontramos oito indivíduos já sem vida, alguns ainda presos a restos de ferramentas de mineração,” relatou o oficial, que liderou a equipe de socorro.

Contexto da mina ilegal

A região de Sucumbíos tem sido palco de uma corrida pelo ouro que se arrasta há mais de uma década, movida por redes de tráfico de drogas, escravidão laboral e explotación de mão‑de‑obra vulnerável. As minas ilegais, frequentemente instaladas em áreas de floresta amazônica, operam sem licenças, sem inspeção ambiental e fora de qualquer controle de segurança.

“Essas estruturas são improvisadas, sem ventilação adequada, sem sistemas de suporte estrutural. Quando o teto desaba ou o gás tóxico se acumula, as chances de sobrevivência são quase nulas,” explicou a geóloga ambiental Ana María Paredes, da ONG Amazon Watch.

Víctimas e possíveis causas

As identificações preliminares indicam que as vítimas teriam entre 18 e 45 anos, e, segundo os primeiros laudos, morreram por asfixia e trauma físico resultante de desabamento de estruturas de madeira e de incêndios provocados por chamas de solda ou explosivos.

A polícia ainda não confirmou o número exato de pessoas que estavam trabalhando na mina no momento do incidente, mas acredita que a maioria eram trabalhadores informais, recrutados por promessas de alto rendimento e sem contratos formais. Ainda há indícios de que algumas vítimas eram menores de idade, o que reforça a suspeita de tráfico de mão‑de‑obra.

Repercussões políticas

O achado gerou repúdio imediato de autoridades federais e de organizações de direitos humanos. O ministro da Defesa, general Carlos Rodríguez, classificou o episódio como “um sintoma da criminalização da pobreza e da ausência do Estado no interior do país”.

“É inaceitável que, em pleno século XXI, haja quem se beneficie da morte de nossos concidadãos. Vamos intensificar as ações contra as redes de mineração ilegal e garantir que a justiça seja feita,” afirmou o ministro em declaração oficial.

Já o presidente da república, Guilherme Lasso, anunciou a criação de um comitê interministerial para mapear e desativar todas as minas ilegais na Amazônia equatoriana, bem como para fornecer apoio psicossocial às famílias das vítimas.

Desafios para o combate à mineração ilegal

A perseguição a essas atividades ilícitas enfrenta obstáculos estruturais:

  1. Falta de presença estatal – Grandes áreas da Amazônia permanecem sem policiamento adequado, permitindo a operação clandestina de minas.
  2. Demanda econômica – Muitas comunidades dependem da extração de recursos como única fonte de renda, dificultando a fiscalização sem oferecer alternativas viáveis.
  3. Corrupção – Há relatos de funcionários públicos que recebem propina para ignorar ou até facilitar a abertura de novos pontos de mineração.
  4. Violência – Grupos armados e milícias ligadas ao tráfico de drogas frequentemente controlam as áreas onde as minas são operadas, criando um ambiente hostil para a ação policial.

Próximos passos

A PNE informou que, até o momento, as investigações seguem em andamento para:

  • Identificar e localizar os responsáveis pela abertura da mina e pela morte das oito pessoas.
  • Mapear o esquema de recrutamento e verificar se há envolvimento de redes criminosas organizadas.
  • Coletar evidências (amostras de solo, documentos, equipamentos) que possam ser usadas em processos judiciais.
  • Prestar assistência às famílias das vítimas, incluindo apoio jurídico e psicossocial.

A população local foi chamada a colaborar com as autoridades, denunciando quaisquer atividades suspeitas relacionadas à mineração ou ao comércio de pessoas. A Polícia pede que informações sejam repassadas por meio da central de emergências 116 ou diretamente nas delegacias de polícia.


Conclusão

O trágico achado de oito corpos em uma mina ilegal no Equador evidencia a gravidade da crise de exploração de recursos naturais e dos direitos humanos no país. Enquanto as autoridades avançam nas investigações, a comunidade internacional e a sociedade civil reiteram a necessidade urgente de políticas públicas eficazes, de fiscalização rigorosa e de alternativas econômicas que garantam a segurança e a dignidade de todos os cidadãos que habitam a Amazônia.

Fonte

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