Britânico suspeito de esquema que escondia 613 quilos de cocaína em bunker em SC é preso pela Interpol

Britânico suspeito de esconder 613 kg de cocaína em bunker em SC é preso pela Interpol

São Paulo, 27 de dezembro de 2025 – A Interpol deu cumprimento a um mandato de detenção internacional e prendeu um cidadão britânico acusado de liderar um sofisticado esquema de tráfico internacional de drogas que envolvia o armazenamento de 613 quilos de cocaína em um bunker clandestino construído em uma área remota do estado de Santa Catarina, no Brasil. A prisão ocorreu após uma investigação conjunta que durou mais de um ano e reuniu a Polícia Federal brasileira, a Interpol e autoridades policiais europeias.

A descoberta do esconderijo clandestino

A operação teve início após denúncias anônimas apontarem para uma estrutura subterrânea em uma propriedade rural no município de São João do Sul, na região sul de Santa Catarina. Em março de 2024, uma equipe de inspetores da Polícia Federal brasileira, com apoio de cães farejadores, descobriu um bunker de concreto oculto sob uma mata fechada. As paredes do esconderijo continham uma camada espessa de isolamento para impedir a detecção de sensores e possuíam ventilação clandestina projetada para manter a qualidade da droga.

No interior do bunker, os agentes encontraram 613 kg de cocaína, embalados em pacotes selados e prontos para serem transportados. O valor estimado da droga no mercado ilegal brasileiro é superior a R$ 120 milhões de reais (aproximadamente US$ 23 milhões). A apreensão resultou na desarticulação de uma organização criminosa que, segundo as investigações, operava um “triple bunker system” — estruturas subterrâneas para armazenamento temporário de drogas antes do envio internacional.

Perfil do suspeito

A Polícia Federal brasileira identificou o principal suspeito como Robert Davies, de 38 anos, um cidadão britânico com passagens registradas por crimes de tráfico relacionados a Portugal e Espanha. Davies é acusado de coordenar a logística do esquema a partir de um escritório em Munique, na Alemanha, utilizando um complexo esquema de lavagem de dinheiro que envolvia empresas offshore na ilha de Niue e rotas de transporte marítimo provenientes do Uruguai.

De acordo com a Interpol, Davies supostamente recrutou uma rede local de colaboradores brasileiros para construir o bunker e gerenciar a conservação diária da droga. As provas apresentadas pelas autoridades brasileiras incluem comunicações por satélite criptografadas, transações financeiras rastreadas e imagens de CCTV de uma equipe de construção que usou veículos blindados para mover grandes quantidades de areia e concreto, a fim de ocultar a entrada do bunker.

Apoio da Interpol e prisão internacional

Diante da natureza transnacional do caso — a droga teria origem na Bolívia, passando pela Argentina e chegando ao Brasil antes de ser entregue a uma rede de distribuição na Europa — a Secretaria Geral da Interpol em Lyon emitiu um alerta vermelho sob o nome “Operação Bunker”. O alerta obrigou a polícia de vários países a monitorar os movimentos de Davies e a cooperar na coleta de provas através das fronteiras.

As ações coordenadas da Interpol culminaram na prisão de Davies em 28 de dezembro de 2025, quando ele tentava sair do Brasil sob um passaporte falso. A detenção foi realizada na aeroporto internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, após a polícia brasileira ter recebido informações da Interpol que o identificaram durante uma verificação de rotina.

“A prisão de Davies é um exemplo poderoso da importância da cooperação policial internacional na luta contra o tráfico de drogas”, disse Elisa Ferreira, chefe da divisão de contrainteligência da Polícia Federal brasileira. “Seu método sofisticado de esconder a cocaína em um bunker subterrâneo demonstra o quão longe as organizações criminosas estão dispostas a ir para desafiar as nossas agências.”

Implicações jurídicas e próximos passos

As autoridades brasileiras devem apresentar uma acusação formal contra Davies nos próximos dias, baseando-se em uma lista de crimes que inclui tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Se condenado no Brasil, ele pode enfrentar uma pena de prisão que pode chegar a 30 anos — de acordo com a lei brasileira sobre tráfico de drogas.

Enquanto isso, as autoridades britânicas e espanholas solicitaram a extradição de Davies para enfrentar acusações relacionadas a anos de tráfico de cocaína envolvendo o mesmo conglomerado de crimes. Um mandato de detenção emitido pelo Tribunal de Magistrados de Westminster (Reino Unido) está em espera no Ministério da Justiça brasileiro, que deve decidir sobre o caso ainda em 2026.

A investigação continua em relação a outros membros da rede local, incluindo o proprietário do terreno e pelo menos três brasileiros que permaneceram em prisão preventiva após a descoberta do bunker. A Polícia Federal brasileira convidou a União Europeia e à América Latina a compartilharem informações sobre a mesma organização criminosa para evitar operações semelhantes no futuro.

Resposta internacional

A ação policial foi saudada pela Interpol e pelo Departamento de Combate ao Crime Organizado das Nações Unidas como um marco no combate ao tráfico global de drogas. “A desarticulação deste esquema multinacional demonstra que, quando as agências trabalham juntas, podem alcançar resultados decisivos”, afirmou Luis Ribes, chefe da unidade de tráfico da Interpol.

Análises preliminares do Narcolímetro Nacional brasileiro sugerem que a cocaína apreendida tem uma pureza superior a 90%, indicando que a droga estava a poucos meses de chegar ao mercado internacional, reforçando a tese de que o bunker servia como um ponto de “transferência” para a distribuição na Europa.

Perspectiva

A prisão de Robert Davies levanta questões mais amplas sobre as cadeias de contrabando emergentes que utilizam tecnologias avançadas e infraestrutura subterrânea para contornar os tradicionais pontos de controle. As autoridades prometerem intensificar a vigilância em áreas rurais remotas, utilizando drones com inteligência artificial e análise de big data para identificar padrões de atividade suspeita.

Para o público em Santa Catarina, a descoberta deixou uma mistura de alívio e preocupação. “Estamos gratos ao governo brasileiro e à Interpol pela resposta rápida”, disse Marcos Pereira, morador de São João do Sul. “Mas a presença de um esconderijo oculto bem no nosso quintal levanta questões assustadoras sobre a extensão das redes criminosas que operam entre continentes.”

À medida que o caso avança, as autoridades continuam a ressaltar a importância da denúncia pública. O programa “Fale com a Polícia” de Santa Catarina oferece canais seguros para relatar qualquer atividade suspeita, incluindo entradas não autorizadas em terrenos privados ou evidências de construção clandestina.

Conclusão

A prisão do suspeito britânico pela Interpol sinaliza um revés significativo para um império de tráfico de drogas que se estendia por três continentes. Embora as autoridades comemorem a apreensão de uma quantidade sem precedentes de cocaína, a investigação destaca a necessidade contínua de cooperação policial internacional robusta e recursos sofisticados de combate ao crime para antecipar e interromper operações igualmente ousadas. A expectativa agora é que mais prisões estejam por vir, aprofundando o desmantelamento da rede que criou um bunker clandestino no coração de Santa Catarina.

Fonte

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