Após reeleição em São Luís, Braide anuncia reforma administrativa e diz que definirá apoio à Presidência nos próximos dias
Por [Seu Nome/Redação]
São Luís (MA) — O prefeito reeleito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), concedeu sua primeira entrevista coletiva após a vitória no primeiro turno das eleições municipais de 2024, realizada na manhã desta [dia da semana], [data], no Palácio La Ravardière. Em tom de continuidade, mas sinalizando mudanças estruturais, Braide confirmou que enviará à Câmara Municipal, ainda este ano, um projeto de reforma administrativa e admitiu que a definição de seu palanque para a disputa presidencial de 2026 deve ocorrer “nos próximos dias”.
Reforma: “Ajuste para a nova etapa”
Ladeado por secretários atuais e vereadores da base aliada, o prefeito evitou o termo “reformulação profunda”, preferindo classificar a medida como um “ajuste necessário para a nova etapa de gestão”.
“Quem ganha eleição no primeiro turno com quase 70% dos votos tem a obrigação de entregar mais e melhor. A máquina pública precisa estar preparada para o volume de investimentos que vamos atrair e para a execução dos projetos que prometemos. Não é troca por troca; é técnica e eficiência”, afirmou Braide.
Embora o texto final do projeto ainda esteja sob análise da Procuradoria Geral do Município (PGM) e da Secretaria de Planejamento (Seplan), fontes do governo adiantam que a reforma deve contemplar:
- Fusão e extinção de secretarias com funções sobrepostas (especialmente nas áreas de infraestrutura e serviços urbanos);
- Criação de uma Secretaria Executiva de Captação de Recursos, voltada a convênios federais e emendas parlamentares;
- Reestruturação da Comunicação, com foco em transparência ativa e diálogo digital;
- Redução de cargos comissionados de segundo e terceiro escalão, meta defendida pelo prefeito durante a campanha como medida de austeridade.
A expectativa é que a mensagem seja protocolada na Câmara até a primeira quinzena de novembro para votação em regime de urgência, visando validade a partir de janeiro de 2025.
O xadrez de 2026: “Diálogo com todos, decisão rápida”
O ponto de maior expectativa política da coletiva foi o posicionamento de Braide sobre a sucessão presidencial. Eleito com uma coligação ampla — que ia do PL (bolsonarismo) ao PT (lulismo) no palanque local, além do seu partido, o PSD, e legendas de centro como MDB, União Brasil e Republicanos —, o prefeito tornou-se um dos caciques mais cobiçados do Nordeste para 2026.
Questionado se apoiaria a reeleição do presidente Lula (PT) ou se migraria para uma eventual candidatura de oposição (como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou do ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível, mas tutor político), Braide adotou a cautela estratégica.
“Minha prioridade absoluta agora é São Luís. Tenho conversado com lideranças nacionais de diversos campos — do presidente Lula a governadores de oposição, passando pela bancada federal maranhense e pela direção nacional do PSD. O Maranhão tem necessidades urgentes que dependem de Brasília. Nos próximos dias, após ouvir minha base política, meu partido e, principalmente, avaliar o que é melhor para o nosso estado, anunciarei a decisão”, declarou.
A fala sinaliza que Braide não pretende repetir 2022, quando declarou apoio a Lula no segundo turno após ficar neutro no primeiro. Desta vez, a definição antecipada serve para pavimentar seu próprio projeto de poder — especula-se que ele seja candidato ao Governo do Maranhão ou ao Senado daqui a dois anos — e para exigir contrapartidas federais para a capital.
Repercussão: Aliados veem “maturidade”; oposição cobra coerência
Para o deputado federal e presidente do PSD no Maranhão, Edilázio Júnior, a postura é correta: “Braide tem a caneta na mão e a legitimidade das urnas. Ele vai sentar com Gilberto Kassab [presidente nacional do PSD], com o governador Carlos Brandão e com a bancada federal. O apoio não é de graça; é em troca de obras para São Luís.”
Já a oposição na Câmara Municipal, representada pelo vereador Pavão Filho (PDT), criticou a demora na definição ideológica. “O prefeito se elegeu com votos da esquerda e da direita. A hora da verdade chegou. Não dá para governar para todos em nível municipal e fugir do debate nacional. A reforma administrativa também precisa ser debatida com os servidores, não imposta goela abaixo.”
Próximos passos
A agenda imediata do prefeito reeleito prevê:
- Reunião com a bancada federal maranhense (segunda-feira) para alinhar emendas de bancada para 2025;
- Encontro com o governador Carlos Brandão (PSB) para discutir parcerias estaduais (VLT, hospitais, pavimentação);
- Conversa reservada com a cúpula nacional do PSD (Kassab) em Brasília, prevista para esta semana.
Enquanto o projeto de reforma tramita na Câmara e a foto oficial com o presidente da República ou com a oposição não sai, Braide sinaliza que seu segundo mandato começará, de fato, pela caneta: reformando a casa para, só então, escolher em qual palanque nacional vai subir.
