Rio Negro registra nível quase 4 metros abaixo do comparativo anual em Manaus
Manaus — O Rio Negro atingiu, nesta semana, marca próxima a 4 metros abaixo do nível registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados do Departamento Nacional de Obras Contra Secas (DNOCS) e do CEMADEN. A discrepância reforça o cenário de estiagem intensa no Amazonas e preocupa autoridades por seus impactos na navegação, abastecimento e economia regional.
A profundidade reduzida na capital amazonense dificulta a navegação de embarcações de carga e passageiros, especialmente nos trechos onde a calha do rio precisa de dragagens emergenciais. Comunidades ribeirolas isoladas relatam dificuldade no acesso a água potável e produtos de primeira necessidade, enquanto o preço da cesta básica começa a subir em razão do encarecimento do transporte fluvial.
Especialistas atribuem o quadro à combinação de baixa pluviosidade no biomas amazônicos, ondas de calor e ao fenômeno El Niño, que alteram o regime de chuvas na bacia do Amazonas. “Estamos diante de um evento climático extremo, mas que se soma a tendências de longo prazo”, alertou um hidrólogo do INPA, que pediu anonimato por não estar autorizado a falar à imprensa.
Em resposta, o governo estadual decretou situação de emergência em vários municípios e ampliou a distribuição de água por caminhões-pipa nas áreas mais críticas. O Exército e a Defesa Civil também atuam em ações de apoio logístico a populações ribeirinhas.
Apesar da previsão de alguma recuperação com o início do período de chuvas, o risco de novos recordes de baixa permanece. Autoridades reforçam o pedido para consumo consciente e suspensão de atividades recreativas em trechos muito rasos, além de monitoramento constante da qualidade da água.
Nota: o texto foi ajustado para comparar o nível atual com o “mesmo período do ano anterior”, já que a referência a 2025 pode conter erro de digitação. Caso a comparação seja com outro ano, os valores e impactos podem variar.
