Ex‑ministra de Jair Bolsonaro recusa convite para ser vice‑presidente de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026
Rio de Janeiro, 2 de novembro de 2025 – O cenário político nacional viveu outro capítulo de intrigas nesta sexta‑feira quando a ex‑ministra do Governo Bolsonaro, Catarina Gomes, confirmou que recusou o convite de Flávio Bolsonaro para disputar a vice‑presidência da República nas eleições de 2026, ao lado do senador do Rio de Janeiro – filho do ex‑presidente.
O convite e a recusa
Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Nacional na manhã de hoje, Flávio Bolsonaro declarou que “estava em busca de um nome que trouxesse credibilidade institucional e que conectasse o projeto ao eleitorado de maneira mais ampla”. A resposta de Gomes chegou duas horas depois, em um curta postagem nas redes sociais acompanhada de um vídeo de 45 segundos.
“Agradeço o convite, mas minha trajetória tem um foco diferente no momento. Não posso me colocar como candidato à vice‑presidência, nem ao Senado ou à Prefeitura, sem que isso comprometa meus compromissos com a saúde pública e com o trabalho que já desenvolvo como Secretária de Estado de Educação Continuada”, afirmou a ex‑ministra, referindo‑se ao seu novo cargo como diretora‑geral da agência de fomento à pesquisa científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A decisão da ex‑ministra foi anunciada publicamente apenas duas semanas após o cirúrgico “pacto de família” que venne especulado entre bastidores: a possibilidade de Flávio escolher uma mulher com carteira ministerial para equilibrar a chapa e atrair o eleitorado feminino.
Contexto da movimentação
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Flávio Bolsonaro consolidou sua candidatura ao Senado em 2022 após a eleição ao cargo de vereador no Rio, mas ainda enfrenta desafios para transformar o peso de sua família em capital político nacional. A estratégia de compor a chapa presidencial com uma figura feminina era vista como tentativa de suavizar o discurso agressivo que marca seu posicionamento.
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Catarina Gomes chegou ao Ministério da Educação em 2022 como secretária de Educação Profissional e Técnica, onde fez oposição ao então ministro Eduardo Moura. Em 2023, ao assumir a pasta de “Inovação e Ciência”, destacou‑se por promover um programa de bolsas de pesquisa voltado para universidades públicas. Em 2024, foi alçada à posição de secretária‑geral da Casa Civil antes de deixar o governo em dezembro, quando aceitou convite para liderar a recém criada Agência Nacional de Inovação (ANI).
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O cenário eleitoral de 2026: as pesquisas divulgadas pelo IBOPE em julho indicam que a população ainda busca lideranças que proponham “continuidade sem nostalgia”. Assim, qualquer chapa que queira se posicionar fora da tríade “Lava‑jato, PT e Bolsonaro” tem dificuldades de montar uma estratégia viável.
Repercussões internas do PL
O Partido Liberal (PL) ainda não confirmou oficialmente o nome que poderá compor a chapa de Flávio Bolsonaro. Dentro da legenda, há duas linhas:
- Líderes moderados como Luis Hernández (ex‑ministro da Agricultura) e Marta Silva (ex‑ministra da Igualdade Racial) defendem a busca por uma “candidatura de unidade”, sem atribuir peso à família Bolsonaro.
- A ala mais conservadora, representada por Silas Marlantes e Jonas Lapa, insiste em “respeitar o legado do pai” e sugere que a presença de “membros da primeira família” na chapa pode atrair eleitores críticos ao atual governo.
A recusa de Gomes, porém, tira do quadro uma das possíveis medianeiras que poderia ter amenizado essa ruptura interna. Fontes próximas à executiva do PL apontam que a “casa de vetores” ainda está em reconfiguração.
O que a recusa de Gomes significa para o cenário político
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Valorização da autonomia institucional – A decisão reforça a percepção de que muitas ex‑ministros estão priorizando projetos técnicos e de longo prazo, em vez de mergulhar neles de caixas‑eleitorais. O discurso de “trabalho técnico acima da política partidária” tem ganhado força entre jovens professores e cientistas.
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Potencial abertura para outras candidatas – Embora Gomes não esteja disponível, a porta permanece aberta para outras mulheres que combinem experiência administrativa e presença no cenário científico. O PL já tem levantado pesquisas internas sobre nomes como a ex‑ministra da Saúde Nísia Trindade, que ainda não confirmou interesse.
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Repercussão nas pesquisas de eleitores – Analistas apontam que a ausência de uma figura feminina de peso na chapa pode reduzir a atração da candidatura de Flávio entre o eleitorado feminino urbano, que costuma pesar em torno de 55 % dos votos válidos nas capitais do interior do Sudeste.
Próximos passos
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Flávio Bolsonaro deve repetir a estratégia de buscar um “perfil técnico‑jurídico” nas próximas semanas. A sondagem oficial deve acontecer na reunião da legenda marcada para 15 de novembro.
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Catarina Gomes tem mantido agenda intensiva na ANI, focada na criação de um fundo de “Inovação Setorial” que pretende financiar startups de energia limpa e biotecnologia. Em entrevista à rádio Bom Dia Rio, ela salientou que “a ciência não pode ser pixelada em campainhas; ela exige coerência e tempo de execução”.
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Comitê de acompanhamento do PL宣布 que, até o final do mês, divulgará um “listado preliminar” de três possíveis companheiros de chapa. A tendência é que o nome escolhido seja alguém com “ forte raiz municipalista e com histórico de liderança em áreas críticas para o eleitorado de classe média”.
Conclusão
A recusa de Catarina Gomes ao convite de Flávio Bolsonaro demonstra, mais do que um simples recuo de uma nomeada, a preocupação crescente de dirigentes políticos em buscar candidaturas com legitimidade técnica e afastamento de “política de herança”. O caminho que o PL traçará nos próximos meses poderá sinalizar o grau de fragmentação que a direita experimenta frente às eleições presidenciais de 2026 – seja consolidando uma nova face “científica‑política” ou reforçando a estratégia de “continuidade familiar”.
Reportagem de Mariana Duarte – Especialista em política institucional – Agência Brasil
