Metalúrgicos Aprovam Proposta de Reajuste e Encerram Greve na Gespi
Na última quinta-feira (10), os trabalhadores metalúrgicos da fábrica de açúcar e derivados da GEBEL (Grupo de Captação e Eletrocentráliga de Boruporanga), também conhecida como Gespi, em Boruporanga (SP), aprovaram uma proposta de reajuste salarial e encerraram uma greve de 15 dias que paralisava parte das atividades da empresa. A decisão foi tomada após uma reunião sindical realizada na fábrica, na qual os representantes dos trabalhadores analisaram o pacote ofertado pela direção.
A greve, que começou em 27 de abril, foi marcada por manifestações diárias em frente à sede da Gespi e na BR-409, com ocupações e pichações. Além do reajuste salarial, os trabalhadores também reivindicavam o pagamento da 14ª e 15ª férias a 13º salário, além de melhorias na assistência médica e no período de trabalho.
Segundo o diretor sindical da Federação dos Metalúrgicos de Bauru e Região, Vales de Paraíba e Litoral Norte, Sérgio Martins, a proposta aceita pelos trabalhadores prevê um reajuste de 12,5% sobre a base salarial atual, além de uma revisão de 6,5% para reajustes anteriores. “O percentual é o resultado de uma negociação acirrada, mas que garantiu a manutenção do patamar salarial dos trabalhadores, evitando uma nova baixa”, destacou Martor.
A empresa, que enfrenta dificuldades econômicas devido à crise no setor de açúcar, informou que a retomada das atividades também dependerá da regularização de operações no moinho de cana, que está travada desde a suspensão das operações da companhia processadora.
A interrupção da greve tem como condição principal o cumprimento efetivo das cláusulas previstas no termo de negociação. Os trabalhadores também devem receber uma nota de promessa escrita sobre a realização de uma audiência pública com a direção da empresa e sindicatos para discutir pontos pendentes, como a retomada de convênios coletivos e a sanção de peças trabalhistas.
O encerramento da greve é visto como um moralizador para a categoria e reforça o papel dos sindicatos na mediação entre as partes. “O trabalhador entendia que era necessário uma negociação séria, e o fato de a proposta ser revisada e ampliada mostra a força da pauta unida”, concluiu Martins.
O retorno às atividades normalizadas beneficia os 2.700 empregados da Gespi, que agora podem retomar suas funções sem impedimentos jurídicos. A conclusão da negociação abre espaço para mais ações coletivas e campanhas de reivindicações no setor metalúrgico, em um cenário de tensão econômica que afeta não apenas os trabalhadores, mas também a gestão da empresa.
Texto baseado em informações fornecidas pela Federação dos Metalúrgicos de Bauru e Região, pela direção da Gespi e despoimentos de trabalhadores ir no local da negociação.
